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Açaí tem uso odontológico
 
A abundância do açaí na região ajudou bastante. Mas foi a observação empírica feita pela dentista paraense Danielle Emmi com os consumidores do alimento que se mostrou decisiva. Após perceber que o fruto deixava o esmalte dos dentes coloridos por um determinado período de tempo, a pesquisadora resolveu estudar melhor aquilo que prometia ser um potente corante natural para os dentes. Os resultados, após alguns anos de estudo, mostraram que as suspeitas iniciais estavam certas.

"O açaí mostrou ser um eficaz evidenciador de placas dentais", explica Danielle à Agência FAPESP. Para aderir às bactérias da placa, os pesquisadores adicionaram ao corante concentrado feito com açaí uma substância específica para esse fim. "Em comparação com os corantes sintéticos utilizados hoje no mercado, a eficácia do corante natural chegou a ser 90% superior", afirma.

O trabalho, orientado pela professora Regina Feio Barroso, do Departamento de Odontologia da Universidade Federal do Pará (UFPA), acaba de ser defendido em forma de dissertação de mestrado na mesma instituição. Desde os tempos da graduação Danielle se dedica aos corantes. "No nosso estudo também fizemos a mesma comparação a partir de um corante feito do urucum. Esse produto também se mostrou viável, mas, em termos de eficácia, ficou atrás dos sintéticos", explica Danielle.

Ao lado da facilidade para obter o corante de açaí, devido à abundância da matéria-prima e à simplicidade dos processos bioquímicos de extração, o produto, segundo a dentista, também não causa nenhum tipo de efeito colateral, ao contrário do que pode ocorrer com os produtos sintéticos. "Existem relatos de que o uso desse segundo grupo pode desencadear rinite, urticária ou complicações gástricas", conta.

Enquanto toda a parte clínica do corante foi feita pelos estudantes de odontologia da UFPA, que testaram a eficácia sobre as placas bacterianas de pacientes, a parte laboratorial de desenvolvimento do produto foi feita na Embrapa Amazônia Oriental, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. A bioquímica Fátima Nazaré cuidou das pesquisas nessa segunda fase.

"O corante já foi patenteado tanto no Brasil como no exterior", explica Danielle. Tanto a UFPA como a Embrapa serão beneficiárias de eventuais dividendos obtidos com o corante de açaí para placas dentárias. "O objetivo a partir de agora é passar a comercializar o produto que já está pronto", diz a pesquisadora.

Agência FAPESP
 
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